Estou começando uma nova série aqui no site. Ela vai se chamar “ARM Opinião”. Serão textos curtos, escritos de objetiva para chamar o leitor para reflexão.
O primeiro de série é “Narrativas como desculpa”. Nesse texto, eu comento a fala desastrosa do Lula ao comparar a ação militar na Faixa de Gaza ao Holocausto nazista. Vamos ao texto:
Já não é de hoje que o PT adota narrativas para propagar seu pensamento. Claro que cada partido tem a sua ideologia e vai querer propagá-la para atingir mais adeptos. O problema é quando você encara a sua narrativa como a única possível e esquecendo-se que no mundo há pessoas que são e pensam diferente. A busca do senso comum para convivermos em sociedade é o caminho árduo e necessário. E a política é essa alternativa possível, mesmo que isso seja desafiante: escutar o teu inimigo político e conviver com ele. Isso é democracia.
Narrativas como forma de propagar ideia, no primeiro momento é aceitável. O problema é quando a narrativa é colocada como verdade absoluta. E é nesse contexto que nos encontramos no Brasl.
Judeus como agentes do capitalismo
A esquerda brasileira é comandada pelo PT com mãos de ferro. E isso se deu por conta de um longo processo de ideologização que passamos nas últimas décadas. Junto desse processo, há a ausência de informação, como arma de manipulação. No Brasil são poucos jornalistas e mídias que fornecem a informação checada para o público. E por dois motivos: a militância política e a falta de preparo dos jornalistas.
A fala do Lula foi antissemita. Há uma ideia errônea de setores da esquerda de que os judeus são maus por terem dinheiro. Algo como um discurso anticapitalista, característico de certos setores da esquerda na Europa.
O conflito no Oriente-Medio é antigo e envolve conhecimentos de história, geopolítica e religião para se entendê-lo. Um estado de Israel e um estado da Palestina é a única forma de convivência pacífica. Embora, apareça uma solução “simples”, ainda não se concretizou.
Questão de díficil compreensão pelos brasileiros
Hamas comanda com mãos de ferro a Faixa de Gaza desde 2007 e usa os palestinos como escudos humanos. Isso se transformou em viveiro de terroristas.
Eu me lembro de um documentário que eu assisti, ainda na Universidade de Bruxelas, em 2002 sobre os homens-bomba na Faixa de Gaza que fariam seus atentatos em Israel. O documentário foi feito por uma colega da Palestina e mostrava Gaza por dentro. Gaza é controlada por mãos de ferro pelo Hamas.
Para muitas famílias aí, a ideia de colocar o seu filho como homem-bomba era quase a única fonte de renda. Assim que o filho se transformava em “mártir”, além do dinheiro, a família ganhava um status
Acordos de paz e nada de paz
Já não sei quantos acordos de paz houveram entre palestinos e israelitas. E todos falharam, o próprio PM Benjamin Netanyahu sabotou algumas negociações por motivações políticas. Antes do ataque do 6 de outubro, Israel se encontrava com manifestações gigantescas de ruas contra uma reforma no judiciário. O ataque do Hamas veio em um momento em que Israel estava dividido e tomou de surpresa a todos.
O assunto é complexo, como eu mostrei nos parágrafos anteriores e demanda conhecimento para a sua compreensão. Se a maioria dos jornalistas brasileiros não conseguem, imaginem a população brasileira, que em sua maioria não tem acesso a informação checada e nem hábito de leitura?
Lula pode questionar as estratégias do exército de Israel em prol de proteger a população civil na Faixa de Gaza, mas não pode ignorar o brutal ataque que Israel sofreu, com a morte de milhares pessoas, ainda com requintes de crueldade. E ainda comparar a ação militar israelita na Faixa de Gaya com o genocídio dos judeus durante a Segunda Guerra. Onde está a compaixão com o próximo?
Lula e o PT se aproveitam da complexidade do tema para emplacar a sua narrativa. Utiliza-se um tema internacional para escapar dos vários problemas internos que necessitam mais de ação que narrativas. Estar na mídia e redes sociais é a prioridade para Lula e o PT.
O lance é que narrativas não tapam os fatos do mundo real. E mais ainda, um assunto tão complexo como a questão dos Estados da Palestina e Israel e um acordo de paz entre ambos. O que aliás está longe de se concretizar.
Conheça meus ebooks clicando aqui.