Socialdemocracia na Áustria em transe: Parte 1

Esse foi o texto que escrevi sobre a eleição do cabeça de lista do partido Social-democrata da Áustria. Até então, o resultado era Hans Peter Doskosil o “vencedor”. Entretanto, um erro foi descoberto na contagem e o vencedor é Andreas Babler. Leia aqui.

Publiquei assim mesmo pela análise que é bem certeira. São vinte anos de Áustria, além de um bom conhecimento da política local. Merece leitura que começa no próximo parágrafo:

Neste fim de semana, o partido socialdemocrata, o SPÖ da Áustria escolheu o seu novo líder e cabeça de lista para as eleições do parlamento nacional austríaco, marcadas para outubro do ano que vem, Hans Peter Doskosil. Foram meses de brigas e intrigas dentro partido até esse desfecho.

O SPÖ vinha muito mal nas pesquisas de intenção de voto para o parlamento nacional. Existe uma tradição, tanto na Áustria como na Alemanha de se divulgar nos domingos na imprensa, uma pesquisa com a atuação dos partidos, ao longo de semana. Essas pesquisas se chamam “Sonntagsfrage”.

Essas pesquisas são importantes para os políticos verem sua atuação e sobretudo se preparem paras eleições. Quais temas que movimentam o eleitorado? Qual é a minha atuação como político? E a atuação do partido?

Desde de dezembro do ano passado, o SPÖ vinha mal nas pesquisas. Houve momentos que o partido esteve no segundo lugar e chegando mesmo a ficar no terceiro lugar. Essa é a última pesquisa realizada no primeiro de junho. Nessa pesquisa, o partido se encontra em segundo lugar.

Nessa pesquisa já mostra Doskosil como cabeça de lista para do SPÖ. Mas, o que levou ao maior partido de oposição a esse situação?

Erros na estratégia de comunicação e partido rachado

Desde do começo da Pandemia de Covid19, Pamela Rendi-Wagner, médica de formação nunca conseguiu ter uma comunicação clara com o eleitorado. Por conta da falta de apoio do seu partido e sobretudo, erros na estratégia de comunicação. Era como se ela falasse unicamente para o eleitorado de Viena, o que não é suficiente para se ganhar eleição e sobretudo fazer frente ao uma possível coalizão de ultradireita entre os conservadores, ÖVP e FPÖ, a extrema-direita, tendo Hebert Kickl do FPÖ como Primeiro-Ministro. Sobre esse assunto, leia aqui. Na última pesquisa que coloquei acima, pode-se notar isso muito bem.

A grande surpresa foi o triunfo do Prefeito da cidade de Traiskirchen, Andreas Babler do SPÖ. Essa é uma cidade emblemática no estado da Baixa-Áustria. Durante a crise migratória no ano de 2015, Traiskirchen recebeu o maior número de refugiados por ter o maior posto de recebimento dos mesmos no país alpino. Esse tema foi instrumentalizado especialmente pela extrema-direita. Isso culminou inclusive na coalizão entre direita (ÖVP) e extrema-direita (FPÖ). Inclusive, na última eleição no estado da Baixa-Áustria. Eu escrevi sobre o assunto na época, leia aqui.

Como Pamela Rendi Wagner ficou em terceiro lugar na consulta direta com os membros do partido, ela renunciou o cargo de líder do partido. A disputa ficou entre Hans Peter Doskosil, governador do Burgenland, estado que se encontra ao sul de Viena. Ele foi policial e tem um lado mais conservador. Andreas Babler é considerado mais ideológico e agrada as alas mais jovens do partido.

Doskosil, próximo Kanzler?

Pesquisas indicam que Doskosil teria chance de barrar uma possível coalizão entre conservadores ÖPV e extrema-direita FPÖ na próxima eleição parlamentar do ano que vem na Áustria. Mesmo que os conservadores afirmem que não farão de jeito nenhum uma coalizão com a extrema-direita, duas coalizões foram feitas das três eleições regionais que aconteceram esse ano no país: na Baixa-Áustria e em Salzburg. Somente na Caríntia é que ficou de fora, com uma coalizão entre sociaisdemocratas e conservadores.

Ainda é muito cedo para afirmar algo. Para conseguir o primeiro lugar nas eleições do ano que vem, Doskosil terá que unir o partido, profundamente dividido. Depois, ele terá que convencer o eleitorado “proletariado” que agora vota na extrema-direita. Esse eleitorado se encontra especialmente nos distritos populares de Viena e nos distritos populares do estado da Baixa-Áustria, o estado mais populoso do país alpino.

Opinião minha

Acho lamentável que Pamela Rendi-Wagner não conseguiu se manter no posto de chefe do SPÖ. Faria bem a Áustria ter uma mulher como Primeira-Ministra. Ela foi a primeira mulher a assumir um cargo de liderança em um grande partido austríaco. Pena que não teve apoio suficiente do SPÖ, além de ter cometido erros na sua estratégia de comunicação por ter sido mal asessorada.

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