Não vou ficar aqui brincado de “juridiquês”, o que não é o caso. Mas, neste caso específico trata-se de uma pena desproporcional. No meio daquele show de destruição do patrimônio público/atos de vandalismo, Débora dos Santos escreveu com baton, na estádua que se encontra na frente do Supremo Tribunal Federal, “Perdeu Mané”. Por conta disso, ela foi condenada a uma pena de 14 anos e uma multa de 30 milhões de reais.
Esse é um assunto que é tratado dentro da perspectiva ideológica da imprensa. Mas, vamos voltar no tempo e lembrar que a internet inteira, logo após a vitória do Lula se organizou para fazer protestos, especialmente o famoso acampamento em frente do QG do Exército, em Brasília.
Por conta das postagens em redes sociais, a internet inteira sabia que potencialmente poderia acontecer algum protesto de magnitude na Praça dos 3 Poderes.
A minha pergunta sempre foi clara: Por que a Praça dos 3 Poderes não estava viajada minimamente? Ao mesmo tempo, Bolsonaro através das redes sociais manipulou seus seguidores para se manter primeiro na frente do QG do exército, meio que “prometendo” que Lula potencialmente não poderia assumir.
Mas, vamos voltar a condenação da Débora. O grande mal-estar gerado na população é simples: como pessoas ricas ou políticos poderosos conseguem se liberar das penas e pessoas comuns não?
Menos idolatria política
Outro ponto muito importante é a manipulação que Bolsonaro fez com seus eleitores, primeiro com o tema das urnas eletrônicas – supostamente não “confiáveis” – e quando ele voou para os Estados Unidos para não entregar a faixa presidencial ao Lula.
Logo em seguida, ele manteve essas narrativas acessas nas redes sociais que culminou nos atos de vandalismo do 8 de janeiro. Isso também não isenta o governo Lula que usa o evento para “manipular” o seu eleitorado através da expressão “atos golpitas”. Mas, como eu escrevi antes aqui, não houve nenhuma vigilância mínima na Praça dos 3 Poderes.
A parte das “culpas deste episódio”, a grande verdade dessa história é que a idolatria em cima de políticos não é uma boa coisa e foi justamente isso que levou Débora e muitos outros a participarem deste ato de vandalismo do 8 de janeiro.
Sim, atos de vandalismo por uma razão simples: as Forças Armadas respeitaram o resultado da eleição. O que Bolsonaro deveria ter feito, desde do princípio era ser uma oposição democrática e voltar ao poder através do voto.
Por outro lado, o STF, que já tempo que anda legislando em vários temas, não deveria impor penas tão duras a Débora e aos outros, até porque existe legislação própria para este tipo de delito. Ao mesmo tempo que ela e outros não possuem foro previlegiado e deveria estar sendo julgada em 1ª Instância.
Será que essa pena será revertida? Espera-se.