As cenas vistas na França nas últimas semanas trouxeram uma grande reflexão na Europa: o fantasma da falsa integração de comunidades estrangeiras.
Desde da morte de Nahel Merzouk, 17 anos, morto em uma blitz em Nanterre, subúrbio de Paris, o país virou uma verdadeira batalha campal entre jovens com descendência estrangeira e policiais franceses.
O passado colonial francês é o principal motivo. No seu auge, a França possuiu várias colônias na África e incluindo parte do hoje Canadá. Inclusive segue com algumas “Províncias Ultramarinas”, com ilhas no Caribe ou na Polinésia, além da Guiana Francesa que faz fronteira com o Brasil.
Guerra na Argélia
O processo de descolonização francês foi muito violento. Logo após, a Segunda Guerra Mundial começou a forçar países imperialistas a darem o status de independente as suas colônias.
Mas, o momento para a França era muito ruim. Saindo da Segunda Guerra, o país estava muito enfraquecido.
Em 1954 começaram na Argélia, então colônia francesa, vários atentados que indicou o começo da guerra. A França enviou soldados para conter a rebelião e aí começou um processo violento com milhares de mortes.
Em 1962, a Guerra na Argélia terminou, mas o processo de “descolonização” seguiu. Na Argélia, argelinos de origem francesa foram caçados e na França, eles são vistos como inferiores.
Outras colônias francesas foram se tornando independentes. Mesmo com a independência, esses países não melhoraram a sua situação econômica e jovens foram buscar melhores oportunidades de trabalho na França.
As “comunidades” na França: Bainlieu
Esses jovens começaram a trabalhar na indústria francesa. À medida que chegavam, cidades como Paris, Marseille, Lyon construíram cidades inteiras, fora dos grandes centros urbanos, os chamados “Bainlieu”.
A partir da década de 90, a França começou um processo de “desindustrialização” e a população vinda da Argélia e Marrocos ficou desempregada.
Com uma baixa escolaridade, a população do “Bainlieu” não conseguiu encontrar outros empregos. À margem da sociedade, a violência aumentou e obrigou o governo francês a intensificar o policiamento.
Algo que conhecemos muito bem, aqui no Brasil. Não adianta somente querer aumentar o policiamento nas comunidades. Ao mesmo tempo, há de implementar projetos educacionais para integrar essas populações, o que não foi feito.
Redes Sociais como estopim
Para concluir este post, sem sombra de dúvidas, as redes sociais serviram como estopim para esses protestos.
No atual contexto que vivemos, qualquer vídeo com assunto polêmico viraliza rapidamente. O vídeo do assassinato de Nahel se espalhou rapidamente e gerou uma revolta entre os jovens habitantes do Bainlieu das grandes cidades.
Como eu apontei nesse post, há uma série de fatores que levaram essa revolta social na França.
Além do problema antigo do passado colonial, ausência de integração junta-se ao fenômeno das redes sociais.
Por outro lado, essa revolta social faz também outros países europeus refletirem sobre a questão da integração para estrangeiros.
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