Outra eleição foi acompanhada com expectativa pelos europeus: a Sérvia escolheu novo parlamento. As pesquisas davam vitória para o partido do Presidente Aleksandar Vučić. Seu partido, o SNS conseguiu 43,4% dos votos. Com isso, o SNS poderá ter até 125 das 250 cadeiras do parlamento sérvio.
Como é característico dos sistemas parlamentaristas, o partido SNS vai precisar de um parceiro de coalizão. Ele pode fazer coalizão com o Vojvodina-Ungarn (SVM) ou seguir a colizão com os socialistas.
O canditado da oposição conseguiu Zdravko Ponoš conseguiu 12,8%. Os socialistas que fazem parte do governo atual conseguiram 11,6%. Com a boa votação do SNS, ele pode escolher tranquilamente um parceiro de coalizão.
Entre Rússia e União Européia.
Os sérvios querem entrar como membros da União Européia, mas ao mesmo tempo querem ter boas relações com a Rússia. O país depende de 90% do gás russo.
Nas últimas semanas houveram nas ruas da Sérvia, especialmente de Belgrado, manifestações a favor de Vladimir Putin. Há um forte sentimento conta a OTAN – Organização do Atlântico Norte, em função da guerra da Sérvia contra a Bósnia em 1992 bombardiou o país. Nesse momento havia uma matança de sérvios contra os bósnios mulçumanos e bósnios croatas.
Essa guerra ainda é uma ferida aberta para os sérvios. Tanto assim que as relações com a Bósnia seguem muito tensas. Na Bósnia são três grupos étnicos que se odeiam: 50% de bósnios mulçumanos, 30% de bósnios sérvios e 15% de croatas sérvios. Os bósnios sérvios querem se juntar com a Sérvia e outros não. Um conflito eminente que pode deflagar uma segunda guerra na Europa. Atualmente, há a guerra da Rússia com a Ucrânia. Leia aqui e aqui.
Mídias instrumentalizadas
Especialistas alertam que as mídias na Sérvia também são instrumentalizadas em prol do governo. Há uma propaganda negativa sobre a União Européia e os Estados Unidos. Por outro lado, há sempre uma boa imagem da China e da Rússia.
Também há um imenso ressentimento dos sérvios em relacão ao Ocidente por conta a guerra contra a Bósnia. Para muitos, a dissolução da Jugoslávia, após a morte de Tito, em 1980 foi uma tragédia.
Os europeus acompanham com muita atenção, quais serão os próximos passos do governo sérvio e aposta da diplomacia para não termos, mais uma guerra em solo europeu.
Para entender a tensão na região
Em 1980, com a morte de Josep Broz Tito, o Presidente da antiga Jugoslávia se desmantelou. A Jugoslávia era composta da Eslovênia, Croácia, Bósnia, Montenegro, Sérvia, Kosovo, Macedônia e Vojvodina. As antigas províncias foram se tornando independentes ao longo do tempo.
Mas, a situação da Bósnia é complexa já que conta com três grupos étnicos: mulçumanos, sérvios ortodoxos e croatas católicos que não se entendem. Os sérvios ainda possuem a idéia de manter “parte da antiga Jugoslávia junta” e as relações entre, o que é hoje os países Sérvia e Bósnia são ruins em função da guerra de 1992.
Mesmo com o acordo de paz vigente, os políticos locais não fizeram muito para manter uma relação saudável entre as etnias diferentes.
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